Alex Karp, CEO da Palantir, voltou a alertar, nesta segunda-feira (3), que os laboratórios de IA de fronteira não são confiáveis para empresas. O recado veio na carta trimestral aos acionistas, publicada após um segundo trimestre com resultados recordes para a companhia.
A Palantir registrou US$ 1,9 bilhão (R$ 9,7 bilhões) em receita no segundo trimestre de 2026, alta de 93% em relação ao mesmo período do ano anterior, e US$ 1,1 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em lucro. Na carta, Karp escreveu que a empresa gerou "mais lucro em um único trimestre do que toda a receita que tivemos no mesmo período do ano anterior".
Na mesma carta, Karp — que tem doutorado em teoria social — usou linguagem filosófica para criticar os desenvolvedores de grandes modelos de linguagem.
"Há tons e subtons marxistas no nosso negócio", escreveu. "Outros, incluindo muitos dos que constroem grandes modelos de linguagem, pretendem, consciente ou inconscientemente, capturar os meios de produção de seus supostos parceiros."
Durante a conferência com analistas de Wall Street, ele desenvolveu o argumento. Karp questionou se as empresas vão "comprar um futuro" em que seu trabalho ajuda seus "adversários a vencer, e todos que vencem são um pequeno grupo de pessoas vivendo em um lugar minúsculo que, de alguma forma, acredita que, porque come vegetais e não apoia combatentes, merece ter o total dos meios de produção deste país".
Ainda na chamada, ele descreveu o modelo de negócio dos laboratórios de IA com linguagem explícita: "Você está pagando pelo direito de eles migrarem sua propriedade intelectual, seu know-how, sua expertise para o modelo deles, para que possam construir um negócio competitivo que não precisa do seu negócio ou das suas pessoas." Karp acrescentou que, na visão dele, isso é feito "por razões que eles acreditam serem morais. Eles são superiores a você. Eles merecem colonizar sua empresa."
A Palantir oferece software de IA e análise descrito como agnóstico em relação a modelos para governos e empresas. A plataforma permite que as organizações controlem seus dados e também o que Karp chamou de "exaustão de IA" — os prompts, a orquestração e o contexto gerados pelo uso de IA.
As informações são do site Olhar Digital